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Ai que saudade Ai que saudade
do tempo do candeeiro,
do namoro da praça da matriz
das brincadeiras de criança
e das morenas da vizinhança.
Poetas e seresteiros
já não cantam a madrugada
sendo a lua testemunha
e o violão um companheiro.
Ai que saudade
do amor sem dinheiro
do cheiro forte de terra molhada
da paquera da rua Chile
do 'café society' e da cerveja bem gelada.
Já não sei o que será da vida
deste outro mundo, tão imundo
Já não sei o que será do homem
esta outra máquina de cidade
na redoma da radioatividade.
O que será desta sociedade
criada para a consumação
escrava da ambição
e que não sabe mais amar
ouvindo o quebrar das ondas do mar.
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